Sofia Ribeiro pede à Ryanair que salvaguarde os interesses dos Açores

A Eurodeputada Sofia Ribeiro reuniu, esta semana em Estrasburgo, com um dos responsáveis da empresa de aviação “Ryanair”, para debater a situação difícil que a empresa atravessa, tendo a Eurodeputada referido que “sendo uma empresa europeia que está a criar graves transtornos aos passageiros europeus com os seus milhares de cancelamentos, importa perceber a origem desta situação, bem como garantir que todos os direitos dos passageiros são cumpridos e saber se os impactos nos destinos cancelados são de alguma forma avaliados”.

De facto, a companhia Irlandesa “Ryanair” cancelou mais de 40 voos diários para vários destinos, até final de Outubro, estimando-se que até final de Março, sejam mais de 400 mil passageiros afetados. Segundo Sofia Ribeiro “para além do que referi e perante as ameaças de greve dos tripulantes, importa perceber se os seus direitos e condições de trabalho estão a ser respeitados, uma vez que emprega cerca de 13 mil pessoas, e segundo me foi dito, todas de nacionalidade europeia” tendo acrescentado ainda que “o cancelamento destes voos tem também enorme impacto na economia dos destinos que foram alvo de cancelamento, pois transportam cerca de 130 milhões de passageiros por ano, voam para 34 países e 200 aeroportos, portanto, basta imaginar o impacto que têm na economia destas regiões e países”.

O responsável da “Ryanair” referiu que neste momento a situação está estabilizada e que todos os direitos dos passageiros afetados foram devida e atempadamente salvaguardados, tendo ainda referido que os seus funcionários têm uma situação laboral muito positiva e salientado que contam com os melhores registos de segurança do sector. Questionado sobre o que então correu mal, a explicação foi simples: “Deu-se uma alteração laboral que obrigou a que dessemos férias às nossas tripulações nesta altura. Houve portanto uma falha interna de planeamento estratégico, mas que a situação agora está normalizada”.

A finalizar as suas declarações, Sofia Ribeiro solicitou à “Ryanair” que “tivesse em consideração a enorme dependência que algumas regiões têm dos transportes aéreos, como é o caso das Regiões Ultraperiféricas da União Europeia, de que é exemplo os Açores. Tal como temos no Tratado Europeu um regime de salvaguarda das RUP, a Ryanair sendo uma empresa europeia, deverá também respeitar este desígnio, evitando ao máximo que a operação para estas Regiões, mais especificamente para os Açores, fosse afectada, dando como exemplo o cancelamento dos voos para a ilha Terceira em Setembro e Outubro” concluindo que “esta ideia foi encarada como muito pertinente e interessante e que irão ter em consideração os argumentos que enunciei do Artigo 349º do Tratado para evitar maiores impactos negativos”.