Sofia Ribeiro defende proteção dos recursos hídricos no uso de pesticidas

A Eurodeputada Sofia Ribeiro alertou para a necessidade de existirem medidas que protejam os recursos hídricos no uso de pesticidas. A Social-democrata, relatora do parecer da Comissão da Agricultura sobre o uso sustentável de pesticidas, interveio esta quarta-feira, 29 de agosto, na reunião desta Comissão parlamentar.

Sofia Ribeiro explicou que muitos países da UE alteraram as metas iniciais de redução de utilização de pesticidas para metas de redução de riscos da sua utilização, “o que mostra o pouco investimento em alternativas eficazes”.  Defendendo a proteção ambiental e da saúde, Sofia Ribeiro lamentou que em muitos Estados-membros “não se faça uma verdadeira aposta na proteção integrada, desenvolvendo uma Agricultura mais sustentável e com menores custos para os Agricultores”.

Na sua intervenção, Sofia Ribeiro reconheceu que “os pesticidas são ferramentas importantes para o sector agrícola, nomeadamente ao nível da redução de perdas nas produções causadas por pragas, estabilizando o rendimento dos agricultores que conseguem assim disponibilizar os seus produtos de uma forma segura e a preços acessíveis”. A este propósito, Sofia Ribeiro recordou os números revelados no último relatório do EFSA (European Food Safety Authority) relacionado com os resíduos dos pesticidas nos alimentos, que demonstram que 97.2% das amostras em toda a Europa estavam dentro dos limites legais da legislação comunitária, “o que mostra que temos um sistema muito exigente e seguro, e que os consumidores podem confiar nos Agricultores europeus”.

As águas europeias estão a ficar cada vez mais limpas da presença de pesticidas, mas não podemos deixar de exigir o reforço do investimento em práticas que evitem que os resíduos alcancem as águas de superfície e as de profundidade”, frisou.

Defendendo medidas de contenção, a Eurodeputada manifestou a necessidade de se apostar na agricultura digital e de precisão, para evitar a dispersão de pesticidas por áreas em que não sejam necessários. “É necessário apostar na investigação em substâncias de baixo risco, em equipamentos de aplicação ou aspersão que sejam mais eficazes e que evitem o contacto direto com o aplicador, bem como importa aumentar o número de substâncias autorizadas, de modo a reduzir a aplicação de pesticidas de largo espetro”.

A finalizar, a Eurodeputada afirmou ser necessário ainda aumentar as campanhas de formação, informação e sensibilização, “quer na aplicação dos pesticidas, quer dos seus impactos na saúde humana”, garantindo a harmonização europeia dos programas e certificados.