Para Sofia Ribeiro: "Portugal não pode desperdiçar os esforços dos portugueses"

A Eurodeputada Sofia Ribeiro interveio na Sessão Plenária do Parlamento Europeu, apresentando o relatório sobre as questões do emprego e aspetos sociais do Semestre Europeu, do qual é relatora do Parlamento Europeu.

Sofia Ribeiro iniciou a sua intervenção dizendo que o relatório elaborado “transforma a União Europeia numa Europa Social moderna e salienta as medidas concretas que é necessário implementar para impulsionar um desenvolvimento social sustentável”.

Na passada semana, e depois de intensas negociações, o relatório alcançou o consenso dos maiores grupos políticos, na Comissão do Emprego e Assuntos Sociais e foi hoje aprovado em Plenário pela esmagadora maioria dos Eurodeputados.

Desde que foi anunciado que seria relatora, Sofia Ribeiro tem-se debatido pela introdução de medidas potenciadoras do emprego, colocando a tónica na formação. Pela primeira vez, este relatório insere os indicadores sociais de taxa de atividade, desemprego jovem e desemprego de longa duração na análise da situação dos Estados-Membros, o que faz com que o relatório se “aproxime da vida real dos europeus”. “Este é um passo que nos permite dar uma resposta direta e justa para os nossos concidadãos, tendo em conta as suas expectativas, preocupações e necessidades”, explicou.

O relatório foca-se também na necessidade de consolidar as finanças públicas e os sistemas fiscais, tendo em conta a frágil situação económica de muitos Estados-Membros. Para Sofia Ribeiro, “Como temos visto nos últimos anos, a resiliência dos Estados-Membros à crise financeira está ligada à capacitação das respectivas finanças públicas, e os que têm os piores resultados são aqueles com economias mais instáveis e com défices maiores”.

Questionada sobre os efeitos no crescimento do processo do Semestre Europeu, Sofia Ribeiro declarou que“cabe aos governos dos Estados Membros alcançar a confiança dos investidores e dos cidadãos, pelo que não podemos fazer tábua-rasa de todas as políticas desenvolvidas até aqui, nem desperdiçar o esforço dos cidadãos. Preocupa-me ver isto no caso de Portugal, pois o actual governo apenas se tem limitado a reverter todas as políticas implementadas nos últimos quatro anos, esquecendo que em 2011 tivemos de recorrer à ajuda externa porque nos encontrávamos numa situação de pré-bancarrota, que nos conduziria a uma situação em que não poderíamos assegurar as mais básicas funções sociais do Estado. Quando recorremos a essas ajudas, tivemos de nos sujeitar às imposições dos credores, cujo impacto social foi devastador. Não obstante, foi feito um enorme esforço nacional para conseguir recuperar a confiança e a credibilidade do País, com vista ao desenvolvimento económico e social, que não podemos desbaratar se queremos evitar situações semelhantes no futuro."

Recorde-se que o Semestre Europeu de 2016 foi lançado com a publicação da Análise Anual do Crescimentodocumento que confirma a estratégia da Comissão em matéria de crescimento e emprego, e que assenta em três pilares fundamentais: relançar o investimento, prosseguir as reformas estruturais para modernizar as nossas economias e conduzir políticas orçamentais responsáveis.