#MaisEuropaNosAçores \ Razão 7

1986 marca o ano de adesão de Portugal à União Europeia. Aproximando-nos das eleições europeias, estamos a responder (pragmaticamente) à questão “o que fez a UE por nós?”.

O mundo quer-se cada vez mais sustentável: há que projetar no longo prazo um desenvolvimento harmonioso do mundo que nos permita viver com qualidade, sem que os que venham a seguir não tenham as mesmas oportunidades. Os objetivos de desenvolvimento sustentável, proclamados pelas Nações Unidas, indicam várias áreas-chave e indicadores que devemos seguir para alcançar essa ideia de desenvolvimento sustentável. A União Europeia adotou a agenda e tem canalizado cada vez mais recursos nesse sentido.

Dependermos de fontes sustentáveis

Chegamos a casa e acendemos a luz. Vamos à cozinha para preparar o jantar – além da luz, o frigorífico, o microondas, o fogão elétrico e tantos outros “ajudantes” tecnológicos estão também ligados à eletricidade. Há ainda o computador, a televisão, a máquina de lavar roupa… Se há umas décadas estas tecnologias eram quase inexistentes em algumas casas, hoje são bens essenciais – artilharia doméstica – sem os quais nos vemos aflitos. Muito bem, mas de onde vem toda esta eletricidade? O consumo de energia tem aumentado, naturalmente, e a produção de eletricidade à custa de combustíveis fósseis é um dos principais problemas que tem levado ao aquecimento global. Hoje o tema da eficiência energética é de extrema importância. Temos visto nos Açores vários investimentos essenciais: em 2017, 37% da energia produzida nos Açores tinha origem em fontes renováveis. O objetivo é de 67% em 2025. A União Europeia incentiva, apoia e cofinancia esses investimentos, com vista à descarbonização da economia (um dos grandes objetivos dos fundos até 2020).

Prevenção de riscos e alterações climáticas

A ideia romântica das “quatro estações num dia” tem dado lugar à clarividência das alterações climáticas. Os invernos são mais rigorosos; os verões mais quentes e o tempo está a mudar. Bem dizem os mais antigos que já não é nada do que era. Estão certos. O mundo está a aquecer, e os diferentes climas estão a mudar por causa disso. Se por um lado é necessário travar esse processo (apostar nas energias renováveis é parte do caminho para isso), é também necessário gerir e mitigar os riscos que essas alterações climáticas vêm provocar. Em 2016, através da União Europeia, 12 instrumentos de planeamento e estudos no âmbito da prevenção de risco e alterações climáticas foram criados. A realidade de ilhas faz-nos mais suscetíveis a essas ocorrências e por isso investimentos em infraestruturas básicas e de prevenção são absolutamente indispensáveis. Proteger as populações estará sempre no ADN europeu.

Preservar o que nos torna únicos

Dizem os que nos visitam que o que mais os fascina quando descobrem os Açores é a natureza virgem que encontram. É de facto um dos nossos maiores ativos. Programas como o LIFE, da União Europeia, têm-nos ajudado a progredir na ciência e salvaguardar a nossa biodiversidade. A título de exemplo, o LIFE VIDALIA, um programa de valorização e inovação, vai permitir a conservação de espécies da flora endémica do arquipélago – investindo quase €2 milhões.

Uma vez mais, nem sempre é fácil vermos resultados concretos no esforço que vem da Europa. As ideias de um mundo mais sustentável parecem abstratas e lá longe. A União Europeia ajuda-nos a construir e operacionalizar uma visão de longo prazo e encoraja-nos a contribuirmos ativa e proativamente por um futuro mais sustentável. Por isso não a podemos ignorar, nem tampouco deixar de retribuir. No próximo dia 26 de maio, as eleições europeias elegem aqueles que vão trabalhar para garantir que a União Europeia está próxima da nossa Região e nos apoia a colmatar as lacunas que – por sermos ilhéus a meio Atlântico – tanto nos condicionam. Votar é essencial, pelo futuro da nossa Europa e para que haja cada vez mais Europa nos nossos Açores.