#MaisEuropaNosAçores \ Razão 3

1986 marca o ano de adesão de Portugal à União Europeia. É tempo de olharmos ao que foi feito e de retirarmos conclusões que nos permitam responder (pragmaticamente) à questão “o que fez a UE por nós?”. Analisemos outra área.

A nossa posição geoestratégica coloca-nos no centro do mundo e, de certo, abre-nos novas oportunidades. Mas nem tudo é assim tão bom. De Santa Maria ao Corvo, a distância é maior que do Minho ao Algarve – as ilhas estão dispersas e em pleno oceano (diriam muitos: no meio de nada). A mobilidade e acessibilidade são peças-chave para o desenvolvimento social e económico, mas também para a coesão territorial da região.

Ligar os Açores ao mundo (e entre eles)

Temos transitado de 9 pedaços de terra para um arquipélago mais coeso e aproximamo-nos do mundo através de mais ligações. Se há 30 anos atrás os acessos eram muito poucos e nos sentíamos isolados a meio Atlântico, houve um esforço no sentido de garantir mais e melhores ligações. É verdade que também estamos mais exigentes no que respeita à acessibilidade, mas o progresso assinalado é registável. Foi criada uma rede de portos e aerogares/aeroportos em todas as ilhas e beneficiadas todas as infraestruturas de embarque e desembarque de passageiros. Os fundos da União Europeia foram absolutamente fundamentais nesta missão de conectar as ilhas. Só neste quadro financeiro (2014-2020) três aerogares tiveram investimentos recentes. Desde a adesão, todas as infraestruturas portuárias e aeroportuárias da região beneficiaram de algum modo.

Chegar pelo ar ficar e disfrutar os Açores

Se há uns anos chegar aos Açores era caro e complicado, hoje o cenário é diferente. Rapidamente os estrangeiros descobriram a região e começaram a fazer malas. Mais de 195 mil internacionais aterraram nos Açores em 2017. Em 1986 eram apenas 58 mil. Hoje em dia é fácil ouvir-se alemão nas Portas da Cidade ou espanhol na Caldeira de Santo Cristo (ou o típico “mamma mia” italiano ao saborear uma alcatra).  As deslocações interilhas quase triplicaram e as ligações ao continente português aumentaram mais de 8 vezes. A compensação das despesas relacionadas com as obrigações de serviço público no transporte interilhas é também cofinanciada pela União Europeia – representam mais de €54 milhões de fundos europeus só no quadro 2014-2020 (ao abrigo do FEDER).

Os turistas vêm cada vez mais descobrir “o paraíso na terra”. Em termos de hóspedes, os estrangeiros foram dos que mais aumentaram: de 28.262 (1986) para 392.405 (2017). Os hóspedes portugueses aumentaram cerca de 456%, alcançado os 375.499 (2017). As dormidas totais de todos os hóspedes evoluíram de 282.976 para 2.384.057 noites. Essa evolução foi só possível devido à melhoria das acessibilidades, mas também devido aos investimentos reprodutivos que permitiram capacitar a oferta hoteleira e a animação turística na região. O setor do turismo teve sempre uma atenção particular nos Açores no que concerne à aplicação de fundos estruturais. Os estabelecimentos de alojamento aumentaram 4 vezes: de 51 (1990) para 234 em 2013. Em 2017 alcançaram 1.740. O número de camas aumentou de 2.824 para 10.730. As percentagens de cofinanciamento destes projetos rondam os 85% de dinheiros europeus.

Por mar ou por terra

A meio Atlântico, o transporte de passageiros nos portos dos Açores mais que duplicou entre 1990 e 2013. Os Açores capacitaram-se para receber cruzeiros e tornar-se cada vez mais paragem obrigatória. Investimentos em variados portos e o projeto das Portas do Mar em São Miguel – cofinanciados pela União Europeia – são claros exemplos.

Por outro lado, e já em terra, os fundos estruturais e de investimento têm financiado as ligações rodoviárias, melhorando a acessibilidade das ilhas. Só em 2016, 64.55 quilómetros de rodovias regionais foram intervencionadas.  No quadro financeiro anterior (2007-2013) mais de 595 quilómetros de estrada foram intervencionados – que é como quem diz a distância dos Rosais ao Topo (comprimento máximo de São Jorge) 11 vezes.

Espaço Schengen = mobilidade sem fronteiras

Não são só os turistas a chegar cada vez mais à região, somos também nós a viajar cada vez mais. Integrarmos a União Europeia, dá-nos a liberdade de viajarmos para onde quisermos no espaço europeu sem qualquer barreira ou passaporte. Ir da Graciosa às Flores é tão fácil (logisticamente falando) como ir da Graciosa a Berlim, Milão ou Barcelona. Não interessa se é de avião, comboio, autocarro, carro (bicicleta para os mais aventureiros; a correr para os desportistas) – não existem fronteiras. São 28 países por onde viajamos livremente, onde podemos trabalhar, namorar, fixar residência e constituir família. A União Europeia faz-nos cidadãos europeus e abre-nos portas para todo um mais amplo conjunto de oportunidades. Trabalhar em Londres; estudar em Praga; casar em Malta? ou apenas passar férias em Paris? – tão fácil como o fazer em São Miguel ou no Corvo.

A Europa está-nos cada vez mais próxima e viajar livremente é uma das grandes conquistas europeias de que disfrutamos. É certo que o impacto da União Europeia é positivo e afeta as nossas vidas todos os dias. Por isso não a podemos ignorar, nem tampouco deixar de retribuir. No próximo dia 26 de maio, as eleições europeias elegem aqueles que vão trabalhar para garantir que a União Europeia está próxima da nossa Região e nos apoia a colmatar as lacunas que – por sermos ilhéus a meio Atlântico – tanto nos condicionam. Votar é essencial, pelo futuro da nossa Europa e para que haja cada vez mais Europa nos Açores.