Eurodeputado José Manuel Fernandes desafia empresários a aproveitar fundos europeus para investimento nos PALOP

Funcionamento do Fundo Europeu para o Desenvolvimento Sustentável explicado em encontro com empresários em Fafe

O Eurodeputado José Manuel Fernandes aponta as oportunidades de investimento em países em desenvolvimento, nomeadamente nos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), como um desafio de expansão para os empresários portugueses poderem capitalizar mais valias da integração no contexto global.

Numa conferência realizada ao final da tarde de sexta-feira, em Fafe, com dezenas de empresários e que teve como ponto central o funcionamento do Fundo Europeu para o Desenvolvimento Sustentável (FEDS), José Manuel Fernandes destacou investimentos estratégicos que a União Europeia procura promover noutras regiões do planeta, através de diferentes mecanismos de financiamento.

"Além da importância para as próprias empresas e para comunidades e países subdesenvolvidos onde são aplicados, trata-se de investimentos que também beneficiam, e muito, as sociedades portuguesa e europeia", defendeu o eurodeputado, apontando como exemplo a resposta ao problema das migrações e aos efeitos das alterações climáticas.

Coordenador do PPE na Comissão dos Orçamentos, José Manuel Fernandes apelou aos empresários a uma atitude mais interventiva nos programas e fundos europeus geridos centralmente em Bruxelas, incluindo a apresentação de intenções de candidatura e o preenchimento de formulários. Em seu entender, isso permitirá à Comissão Europeia e aos serviços centrais perceberem melhor as necessidades e expectativas do empresários portugueses.

Na sessão que decorreu na Associação Empresarial de Fafe, Cabeceiras e Celorico de Basto, José Manuel Fernandes esclareceu que o FEDS, tal como o Fundo Europeu para Investimentos Estratégicos - o chamado Plano Juncker -, disponibiliza apoio técnico aos empresários para o desenvolvimento e concretização dos projetos. Lamentou, contudo, a ausência de qualquer banco ou instituição financeira de Portugal na lista de intermediários do Fundo, acrescentando ainda que esta é uma área onde o Banco de Fomento deveria ter um papel de grande importância enquanto instituição financeira de desenvolvimento.

Ao lado do presidente da Câmara de Fafe, Raul Cunha, e do líder da associação empresarial, Hernâni Costa, o eurodeputado aproveitou ainda para explicar que o FEDS apoia, sobretudo, projetos de maior risco, através de garantias bancárias.

Com um orçamento de cerca de 3,5 mil milhões de euros, o fundo visa mobilizar até 44 mil milhões de euros de investimentos - levando apenas em conta a contribuição da União Europeia, que pretende ver o bolo reforçado com recursos dos Estados-Membros e outros doadores.

A concretização dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030, a criação de emprego e a promoção do crescimento económico, o combate às causas profundas da migração e o incentivo à execução do Acordo de Paris sobre Alterações Climáticas são eixos prioritários do Fundo Europeu para o Desenvolvimento Sustentável, cujo regulamento prevê o apoio a investimentos em setores como a energia, os transportes, as infraestruturas sociais a economia digital, a utilização sustentável dos recursos naturais e a agricultura.